Esse artigo foi retirado do site www.livrosdocoracao.com.br

Cenas de um casal publicitário

Lauro pensa, ela deve estar brincando. Só pode estar. Lidiane pensa, ele deve estar brincando. Não pode ser uma tatuagem de verdade. Alguns minutos depois, quando percebem que tudo é muito sério, os dois sentam-se à mesa, tão falantes e à vontade um com o outro quanto um casal de meia-idade que foi acumulando desgastes e seus inevitáveis resíduos corrosivos, se ressentindo com as minúcias egoístas que nascem naturalmente nos relacionamentos de longa data. Ruminando, eles se servem do penne tricolore, a receita caprichosamente garimpada na web pelo redator e mal apreciam o sabor do prato. Por um lado, sorte. Lauro tinha errado na mão. Havia assado do ponto, o molho estava salgado demais. Assim, um gosto alcalino-amargo insiste em estar presente em sua boca, fazendo par com a frase da namorada, que não para de ecoar em sua mente: um horror, um horror, um horror. Foi o início do fim.

Por em 28 de março de 2017
Por Aline Silva em 28 de março de 2017

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