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Lágrimas Agrestes

Com linguagem sedutora, expressões inventivas como “pisando elefantemente”, “meus pés só acordariam para dentro”, “os restos de mim cabiam com folga no buraco do assoalho”, diálogos perfeitos e ritmo tenso, Leticia Sardenberg envolve o leitor desde as primeiras linhas. E o leitor se sente coautor da narrativa, agarrado aos medos, às frustrações e aos sonhos da jovem Damiana, sem querer parar, atordoado de suspense, angústia e compaixão. Negra e mais velha do que a irmã Ritinha, as duas abandonadas num orfanato no sertão da Bahia, Damiana se viu separada da pequena lourinha escolhida por um casal do sul do Brasil, e a partir daí convive com uma saudade extrema e dilacerante. No entanto, Damiana gosta de ler, é sonhadora e determinada. Rapidamente conquista duas grandes amigas no orfanato: Francisca e Luciana. Essa amizade solar faz reviravoltas, cria situações de alegria e coragem. Emoções fortíssimas acontecem no decorrer de toda a história, em meio à violência, à fome, ao descaso, à crueldade, ao preconceito e à miséria, mas, especialmente nos últimos capítulos, momentos de grande tensão poética e humana deixarão o leitor surpreso e encantado, contente, acabrunhado, pensativo, atônito, com certeza mais rico em sentimentos e visão crítica da vida, diante dessa menina transmudada em professora, que lá no início, “agrestemente”, disse: “Eu mesma haveria de dar destino à minha vida.”

Por em 29 de junho de 2017
Por Aline Silva em 29 de junho de 2017

Uma resposta para “Lágrimas Agrestes”

  1. Leticia Sardenberg disse:

    Ahhhhh! Aline querida, pois saiba que você conseguiu me arrancar lágrimas com esta sua resenha tão visceral sobre a trama. Obrigada por sua leitura atenta é sensível, e também por destacar pontos fortes da história. Feliz demais com este presente! OBRIGADA ❤️
    Leticia Sardenberg

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